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Pedra na Vesícula: Descubra os sintomas, tratamentos e possíveis complicações

13 de dezembro de 2019

Caracterizada principalmente pela intensa dor na região superior do abdome, a pedra na vesícula é uma doença que acomete milhões de pessoas no mundo todos os anos, e quando não é tratada a tempo e de modo adequado pode causar sérias complicações.

Neste artigo mostraremos tudo o que você precisa saber sobre a pedra na vesícula, assim como seus sintomas, riscos, tratamentos e possíveis complicações. Continue a leitura para saber mais sobre o assunto!

O que é vesícula?

A vesícula é um órgão que atua como um ponto de armazenamento da bile que o fígado produz. A bile, por sua vez, é uma enzima digestiva muito importante que tem como principal função a digestão de lipídeos (gorduras), fazendo com que o intestino seja capaz de absorver a gordura dos alimentos que ingerimos. Portanto, a vesícula funciona apenas como uma "caixa de água" para armazenar parte da bile produzida.

O fígado produz a bile que é coletada em um ducto principal, no qual a vesícula está ligada também. Esse ducto permanece fechado por uma válvula antes de chegar ao intestino delgado.

Sempre que nos alimentamos, essa válvula se abre, a vesícula se contrai e todo o conteúdo de bile que está armazenado é expelido para dentro do intestino, para dar sequência à digestão das gorduras.

Sendo assim, como a vesícula funciona apenas como um ponto de armazenamento da bile produzida pelo fígado, o órgão pode ser removido sem causar grandes prejuízos ao paciente que continuará a produzir e eliminar a bile normalmente, já que o ducto que conecta o fígado ao intestino sofre uma discreta dilatação para acomodar a bile que antes ficava dentro da vesícula, sem impactos para a vida do paciente.

Como se forma a pedra na vesícula?

Em geral, a inflamação na vesícula se deve aos cálculos. Ou seja, às pedras que se formam no órgão.

As pedras costumam se formar quando há um desequilíbrio entre os componentes da bile — sais biliares, colesterol, lecitina, água, entre outros — podendo ocorrer a precipitação dos grãos, que acabam crescendo e formando os cálculos.


A desidratação no paciente também pode aumentar a concentração de bile, contribuindo com a formação das pedras na vesícula, assim como outros fatores descritos a seguir.

O que causa a pedra na vesícula?

Entre as principais doenças que causam a formação de cálculos no órgão, podemos citar:

  • Anemias;
  • Talassemias;
  • Anemias hemolíticas.

Além desses fatores, o principal grupo de risco para pedra na vesícula é chamado de 4Fs (quatro efes) pelos profissionais, sendo caracterizado por:

  • Female — mulheres;
  • Fertile — que tenham tido um ou mais filhos;
  • Fat — com tendência à obesidade;
  • Forty — por volta da faixa dos 40 anos de idade.

Pessoas que tenham passado por um emagrecimento drástico em um intervalo curto de tempo também têm mais tendência a sofrer com pedra na vesícula, como indivíduos que foram submetidos a cirurgias bariátricas, por exemplo.

Essas são algumas das inúmeras causas de pedras na vesícula. No entanto, a causa em si da formação das pedras não muda em nada o tratamento necessário para essa condição.

Quais são os riscos que a pedra na vesícula pode causar?

O maior risco está relacionado à movimentação dos cálculos tentado deixar a vesícula. Por exemplo, toda vez que nos alimentamos a vesícula contrai para enviar a bile ao intestino e com isso, as pedras que encontram-se em seu interior também são empurradas para fora do órgão. As pedras maiores do que 5 mm, por serem muito grandes para passar pelo ducto, não podem ser expelidas.

Isso pode causar a obstrução / entupimento da vesícula e, consequentemente, uma inflamação, conhecida como colecistite aguda, que pode evoluir para uma infecção.

O paciente acometido por essa inflamação e infecção acaba desenvolvendo um quadro clínico de bastante dor no quadrante superior direito do abdome ou na boca do estômago. A dor pode também refletir para as costas.

Essa dor costuma ser progressiva, se tornando mais intensa se a pessoa demorar para procurar um médico. Geralmente esse quadro é acompanhado de enjôos e vômitos também.

Em casos mais extremos, o quadro pode evoluir para icterícia, causando amarelamento dos olhos e da pele e modificação da cor da urina (que fica escurecida com cor de coca-cola ou de chá mate) e das fezes (que ficam esbranquiçadas).

Contudo, a maior preocupação se deve aos cálculos pequenos. Ou seja, as pedras menores do que 5 mm, pois podem se movimentar para fora do órgão e causar obstrução em qualquer porção do ducto até a válvula que libera a bile para o intestino.

Quando o cálculo fica preso no meio deste cano, ocorre o que os médicos chamam de coledocolitíase, podendo gerar uma infecção em todo o fígado, que pode desencadear uma colangite — uma espécie de infecção da bile que está dentro do fígado, por causa de uma obstrução desse cano.

Outro risco relacionado à movimentação das pedras pela vesícula se dá quando o cálculo obstrui a parte mais inferior do ducto, próximo à válvula, podendo causar uma inflamação do pâncreas, mais conhecida como pancreatite aguda.

A pancreatite aguda é caracterizada principalmente por uma dor bastante intensa na parte superior do abdome ou no quadrante superior direito — que também pode irradiar para as costas — além de causar muita náusea e muitos vômitos.

Quais são os sintomas mais comuns de pedra na vesícula?

Primeiramente, é importante destacar que cerca de 80% dos pacientes que têm cálculos na vesícula não apresentam nenhum sintoma. Ou seja, não sentem dores ou desconfortos. 

Em casos em que os cálculos dão sinais ao paciente, podemos destacar como principais sintomas de pedra na vesícula:

  • Cólicas — fortes dores abdominais;
  • As dores costumam surgir em torno de 40 minutos a 1 hora após as refeições, principalmente quando consumidos alimentos gordurosos.

Quando o paciente não tem dor, as chances de que ocorra alguma das complicações citadas no tópico anterior são de aproximadamente 7% a 9% ao ano. Já no caso dos pacientes que apresentam dores, as chances sobem para 25%. Porém, é imprevisível saber quando o paciente poderá ter ou não alguma dessas complicações

Qual é o tratamento para pedra na vesícula?

Não existe nenhuma medicação para evitar a formação das pedras, dissolver as já formadas ou para desobstrução dos cálculos formados na vesícula de forma não cirúrgica. Isso significa que não há tratamento clínico.

Os tratamentos que os médicos fazem para os 25% dos pacientes que apresentam sintomas são os antiespasmódicos (medicamentos que agem diretamente sobre as estruturas da região abdominal, interrompendo os espasmos ou as contrações). Mas a recomendação principal é que sempre que o indivíduo perceber algum sintoma que procure um cirurgião.

A cirurgia é necessária em praticamente todos os casos em que as pedras são diagnosticadas.

Quando o procedimento é programado, ou seja, realizado no paciente que ainda não está internado com os sintomas mencionados, torna-se muito mais seguro e pode ser realizado por técnicas minimamente invasivas, como:


A cirurgia aberta, em que há uma incisão mais agressiva, praticamente não é feita mais hoje em dia, exceto em alguns hospitais públicos que não contam com os recursos necessários para uma cirurgia minimamente invasiva ou em alguns raros casos de complicações, pois mesmo nas complicações podemos utilizar a cirurgia minimamente invasiva também!

Nos dois primeiros casos, o paciente pode ser liberado até no mesmo dia em que a cirurgia foi realizada, com o mínimo de dor, um nível muito baixo de risco de complicações (cerca de 0,5%) e uma recuperação bastante rápida. Lembrando que em todos os casos a vesícula é completamente removida.

Por fim, a recomendação para pacientes que removeram o órgão, é que se começarem a apresentar diarreia após as refeição, devem evitar alimentos gordurosos. No entanto, esse sintoma costuma ser passageiro e se normalizar com o decorrer do tempo, raramente excedendo 4 semanas.
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Este artigo foi útil para você? Tem alguma dúvida sobre pedra na vesícula e os procedimentos cirúrgicos para seu tratamento que não foi sanada ainda? Faça sua pergunta nos comentários para que possa ajudar.

Dr. Alexandre Bertoncini

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