A Endometriose é uma doença causada pelo desenvolvimento do tecido do endométrio fora do útero.
Existem, ao menos, 4 principais teorias para explicar o desenvolvimento da endometriose, mas nenhuma delas é completa para responder todas as perguntas que ainda temos. Uma dessas teorias mais clássicas é a da menstruação retrógrada, a qual diz que o tecido de dentro do útero volta pelas trompas uterinas e se deposita dentro da cavidade pélvica e abdominal, levando assim, em mulheres que têm predisposição genética, ao desenvolvimento da endometriose.
A menstruação retrógrada pode ser demonstrada em 80% das mulheres em algum grau. Porém, a endometriose se desenvolve em apenas 10% das mulheres em idade reprodutiva de fato. Por esse motivo é que apenas a menstruação retrógrada não seria o suficiente para o desenvolvimento de endometriose nas mulheres, além de não justificar a presença da doença em pacientes sem útero ou em bebês e crianças que ainda não menstruaram.
Um dos locais que pode ser acometido pela endometriose é o intestino que, se afetado pelo crescimento irregular do endométrio, pode apresentar alterações em sua anatomia normal, levando, desta forma, ao desenvolvimento de sintomas distintos, como sangue nas fezes (raramente é causado pela endometriose), dor ao evacuar durante o período menstrual e cólicas abdominais agudas.
Porém, como o assunto ainda gera muitas dúvidas em relação à
possibilidade de engravidar, criamos este artigo para desmistificar alguns conceitos e entender se, mesmo com o diagnóstico de Endometriose Profunda, existe a possibilidade de gravidez e quais são os possíveis riscos.
A Endometriose Profunda afeta cerca de 7 milhões de mulheres no Brasil, provocando uma série de sintomas desconfortáveis.
Os sintomas da endometriose profunda que acontece no intestino podem ir além do sangue nas fezes, levando a paciente a apresentar também inchaço na barriga, dor persistente no reto, ânus, entre o ânus e a vagina, na coluna lombar e até a alterações do hábito intestinal em algumas pacientes.
O diagnóstico tardio da Endometriose Profunda pode inclusive causar
infertilidade, por conta da distorção que a Endometriose pode gerar nas trompas uterinas, mas também por alterações bioquímicas que interferem na fertilidade da mulher. Porém, essa não é, necessariamente, uma condição permanente, existindo
chances da mulher engravidar depois do tratamento de fertilização ou cirúrgico.
A medicina ainda não reconhece totalmente as causas da doença, mas o tratamento da Endometriose Profunda pode aumentar muito as chances de engravidar.
Dependendo da gravidade da doença e das regiões em que ela se desenvolve, a cirurgia para remoção de tecido do endométrio fora do útero pode melhorar a fertilidade em até 50% dos casos.
Porém, alguns fatores podem não ser resolvidos, mesmo
com o tratamento ou cirurgia, como a existência de
comprometimento das reservas de óvulos dos ovários.
Antes de mais nada, é preciso pontuar que a doença precisa de tratamento em todos os casos, mas nem sempre ele será cirúrgico ou mesmo medicamentoso, existindo outras formas de tratar, como com dietas anti-inflamatórias e melhora nos hábitos de vida, como adotar a prática de atividades físicas regulares.
Fazer o acompanhamento ginecológico, e até mesmo multidisciplinar, a depender das regiões acometidas, é essencial para manter a qualidade de vida, bem como para identificar precocemente o que pode ser feito.
Em muitos casos o tratamento medicamentoso com o anticoncepcional à base de progesterona apenas tem grande eficácia no alívio dos sintomas e na diminuição das chances do endométrio se desenvolver em outros órgãos. Porém, para as mulheres que querem engravidar, é preciso deixá-los de lado.
Contudo, a triagem de pacientes é diferente quando o caso envolve outros órgãos, principalmente o intestino. Nesse sentido, torna-se necessário o acompanhamento de um cirurgião do aparelho digestivo e do proctologista para o diagnóstico e tratamento mais adequado.
Estudos apontam que as pacientes com endometriose profunda no intestino costumam apresentar maiores dificuldades para engravidar, quando comparadas a quadros com somente complicações urológicas ou apenas endometriose sem outras complicações. Ou seja, a presença de endometriose intestinal piora tanto as
chances de gestação espontânea, quanto as
induzidas por tratamentos específicos para infertilidade, como a Fertilização
in vitro, por exemplo.
Cerca de 50% dos casos de mulheres que fizeram a cirurgia de remoção do endométrio da cavidade abdominal e dos aparelhos reprodutivos podem engravidar espontaneamente após a cirurgia. Contudo, em alguns casos essa medida isoladamente pode não ser eficaz.
Para possibilitar a gravidez, pode ser necessário tratamentos de reprodução assistida. Uma das alternativas é a Fertilização In vitro (FIV), mas esta pode apresentar alguns riscos de agravar a endometriose em algumas pacientes.
É válido ressaltar que em quadros de acometimento do intestino, é indispensável buscar o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, principalmente, com a presença de profissionais como o
cirurgião do aparelho digestivo e
proctologista.
A intervenção cirúrgica laparoscópica ou robótica é o procedimento mais indicado pela maioria dos estudos, pois é pouco invasiva e causa dano mínimo do tecido saudável que deve ser preservado, além de ter uma rápida recuperação e precisar de pouco tempo de internação.
Os resultados são também superiores aos da cirurgia aberta do passado no controle adequado da endometriose e induzem menos formação de aderências após a cirurgia, diferentemente do que as cirurgias abertas costumam causar, que podem, por sua vez, piorar ainda mais as taxas de fertilidade das pacientes.
Os riscos da gravidez em quadros de Endometriose Profunda, geralmente, aparecem porquenessas condições podem ocorrer abortos espontâneos mais frequentemente nos primeiros meses de concepção.
Além disso, é possível que a mulher desenvolva uma gravidez ectópica (fora do útero) ou mesmo uma gravidez normal, porém com um parto prematuro.
Diante de todo esse contexto, o melhor a se fazer é individualizar o tratamento, considerando os sintomas e anseios da paciente e os impactos da Endometriose Profunda na sua qualidade de vida e planejamento familiar.
Portanto, mesmo que existam métodos que aumentem as chances de engravidar,
o acompanhamento médico especializado é imprescindível para que seja feito o melhor planejamento possível para o tratamento clínico e cirúrgico mais adequado à realidade de cada paciente.
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