A Endometriose Profunda é uma doença que se refere às lesões ocasionadas pelo desenvolvimento do tecido do endométrio fora do órgão reprodutor das mulheres.
Existem, ao menos, 4 teorias para explicar o surgimento da endometriose em mulheres. Nenhuma é ainda capaz de explicar completamente todos os casos de endometriose, mas a teoria mais comum é a teoria da Menstruação Retrógrada.
Normalmente em uma menstruação, os resíduos do tecido que reveste o útero por dentro (endométrio) são eliminados ao final do ciclo menstrual através da menstruação.
No entanto, em 80% das mulheres, em vez desses resíduos serem eliminados apenas para fora do corpo através da menstruação habitual, parte deles retorna pelas trompas caindo dentro da pelve e, em 10 a 15% das mulheres somente, esse tecido que retorna pelas trompas para dentro da pelve se implanta e se desenvolve em outros órgãos - essa é a Teoria da Menstruação Retrógrada.
Contudo, em muitos casos o acompanhamento ginecológico não é suficiente para identificar completamente o problema, sendo necessário a avaliação e tratamento com outros profissionais, especialmente quando a endometriose invade também
outros órgãos, como o intestino ou os ureteres, por exemplo.
No país, a doença afeta 15% das mulheres que estão em idade reprodutiva. Segundo os dados da Associação Brasileira de Endometriose, são cerca de 7 milhões de mulheres brasileiras com a doença.
Ao contrário da endometriose superficial, que geralmente acontece na superfície dos ovários, tubas uterinas, do útero e do peritônio, em sua forma profunda pode atingir outros órgãos, como a bexiga, intestinos e outros, sendo esses casos mais raros.
A doença provoca sintomas muito desconfortáveis. Entre os mais conhecidos estão os intensos fluxos menstruais e cólicas, dor durante e após as relações sexuais, dor ao urinar e evacuar, dificuldade de engravidar ou mesmo infertilidade.
A avaliação desses sintomas, inclusive, é crucial para o diagnóstico da doença, que é realizado por meio do exame de toque vaginal, ultrassom transvaginal com preparo intestinal, ressonância magnética pélvica e colonoscopia. O importante é que esses exames sejam sempre realizados por profissionais especializados no diagnóstico da endometriose, pois não é raro o fato dos exames de ressonância e ultrassonografia apontarem dados errados ou insuficientes nessas pacientes.
Dependendo dos sintomas e da intensidade deles, o uso contínuo de medicamentos analgésicos ou anticoncepcional pode interromper o fluxo menstrual, minimizar as dores e modular o crescimento irregular do tecido do endométrio em outros órgãos.
É importante ressaltar que ainda não há tratamento medicamentoso que faça as lesões regredirem ou pararem totalmente de crescer. No entanto, a cirurgia é apenas parte do tratamento e não está indicada para todas as pacientes. Na verdade, a maioria das mulheres com endometriose não precisarão de cirurgia em nenhum momento.
Acupuntura, fisioterapia, atividades físicas e dietas anti-inflamatórias são outras opções que também podem auxiliar no tratamento. Contudo, nos deparamos com três cenários possíveis que podem indicar a necessidade de cirurgia:
Portanto, diante de qualquer um desses casos a cirurgia será necessária para garantir a saúde e qualidade de vida da mulher.
É importante ressaltar que nesses casos mais graves, que acometem órgãos fora do útero, como
intestinos e diafragma, são necessários cuidados por parte de um cirurgião do aparelho digestivo ou de um coloproctologista.
Mesmo que existam diferentes tratamentos que auxiliam na redução dos desconfortos, há casos em que somente por intermédio de cirurgia o problema pode ser resolvido.
Além disso, a cirurgia deve ser feita por uma equipe interdisciplinar.
Preconizamos hoje em dia que sempre que uma paciente precise de cirurgia para o tratamento da endometriose, que essa cirurgia seja o mais radical possível a fim de
preservar as funções normais dos órgãos e devolver à paciente a qualidade de vida e, quando possível, melhorar ainda a fertilidade. Assim,
evita-se a repetição de diversos procedimentos cirúrgicos que são tecnicamente cada vez mais complexos e nocivos às pacientes.
Diante da gravidade da Endometriose Profunda, o acompanhamento médico com coloproctologista é essencial para que sejam identificadas e tratadas quaisquer irregularidades, principalmente quando afetarem intestino delgado, intestino grosso, apêndice, reto e ânus.
Não é sempre que existe endometriose no intestino que a paciente precisará passar por uma cirurgia. Na verdade, quando a paciente tem indicação de ser operada por conta dos sintomas, complicações ou infertilidade, sempre devemos remover sim todos os focos de endometriose, mesmo os que atingem o intestino.
Porém, a presença de endometriose intestinal só obriga a paciente a passar pela cirurgia, independente de outros fatores, quando a doença invade o intestino delgado e/ou apêndice. Isso porque o intestino delgado tem um calibre mais fino que o intestino grosso e possui assim maior risco de obstrução intestinal.
Além disso, o apêndice sempre pode ser local de desenvolvimento de câncer do apêndice e esse ser interpretado como sendo apenas endometriose. Para evitarmos então o risco de não tratarmos um possível câncer do apêndice (que costuma ser curável apenas com a simples remoção do apêndice), indicamos sempre cirurgia nos casos de nódulos no apêndice em pacientes com endometriose.
Sobre o apêndice ainda, é importante ressaltar que a endometriose não aumenta o risco de câncer no intestino ou no apêndice!
Outro ponto importante é que a remoção completa das lesões intestinais aumenta as taxas de fertilidade, além de auxiliar na diminuição dos sintomas de desconforto das pacientes.
Portanto, o tratamento deve ser completo e definitivo, a fim de garantir a qualidade de vida da mulher e do seu corpo.
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