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Como funciona o tratamento do câncer colorretal (ou câncer do intestino grosso)?

26 de agosto de 2020

O câncer colorretal é um tumor maligno que atinge o intestino grosso, chamados de cólon e reto (a parte final do intestino grosso).


Embora seja um dos tipos mais comuns e atinja milhares de pessoas todos os anos, é importante saber que há tratamento para essa doença. Quanto mais cedo for detectado, maiores são as chances de cura real!


Neste artigo, vamos explicar com mais detalhes como é feito o diagnóstico e como funciona o tratamento para o câncer colorretal. Entenda a seguir!

Como é feito o diagnóstico do câncer colorretal?

O principal exame para diagnosticar o câncer colorretal é a colonoscopia. Por meio dela, é possível visualizar as lesões no revestimento interno do intestino grosso e fazer a retirada de um fragmento da lesão para realizar a biópsia, além de avaliar por completo todo o intestino grosso e descartar que haja mais alguma outra lesão presente, além da lesão principal.


No caso de confirmação do câncer colorretal, é comum que o médico solicite outros exames para identificar o estágio da doença e verificar se há metástase, ou seja, se o câncer já atingiu outros órgãos, para poder planejar o tratamento mais adequado.


Esses exames complementares incluem:

  • tomografia do tórax, abdômen e pelve;
  • exame de sangue para a dosagem do antígeno carcinoembrionário (CEA);
  • ressonância magnética de pelve (apenas nos casos de câncer do reto);
  • PET-TC (um tipo de tomografia realizada por emissão de pósitrons mais detalhada para pesquisa de pequenas lesões) - usada apenas em pacientes muito específico para pesquisa de metástases não vistas nos demais exames mas ainda suspeitas;
  • Ultrassom endoscópico - para lesões pequenas no reto.


Vale destacar que é fundamental realizar o rastreamento como forma de detecção precoce. Trata-se de um conjunto de exames – como colonoscopias e pesquisa de sangue oculto nas fezes – para identificar pólipos ou pequenos tumores a tempo de serem tratados antes mesmo de virarem cânceres de fato ou quando ainda bastante iniciais.


Esses procedimentos são de grande importância, pois os cânceres de intestino grosso geralmente começam silenciosos e tornam-se sintomáticos apenas em estágios mais avançados. Por isso, mesmo sem sinais ou sintomas, é recomendável fazer o rastreamento a partir dos 45 anos de idade.


Para os pacientes com fatores de risco como com doenças no intestino grosso e histórico familiar de câncer colorretal, o rastreamento pode ser feito a partir dos 40 anos ou antes, ou até mesmo de imediato, caso haja sintomas intestinais suspeitos.

Como funciona o tratamento para câncer colorretal?

O tratamento depende do grau de evolução da doença, bem como do tamanho, extensão e localização do tumor.

O câncer colorretal pode ser dividido em quatro estágios:

  • I – o tumor limita-se à camada mais interna do cólon ou do reto;
  • II – o tumor invade a parede do cólon ou do reto;
  • III – o tumor compromete os linfonodos regionais;
  • IV – o tumor se espalha para órgãos mais distantes.


O tratamento para câncer colorretal no estágio I tem grandes chances de cura! O tratamento pode ser por cirurgia aberta, via laparoscópica ou robótica, pode ser apenas através do ânus para os casos localizados no reto mais próximos da borda anal e, em casos especiais, ser totalmente realizado por colonoscopia, desde que com médicos altamente treinados neste tipo de tratamento. Neste estágio, os linfonodos não estão acometidos pela doença ainda. Desta forma, podemos apenas remover o tumor principal e, por isso, há diversas opções de tratamentos menos invasivos. 


Nos estágios II e III, a cirurgia é o principal tratamento, sendo preferida a cirurgia laparoscópica ou robótica para melhor recuperação do paciente no período pós-operatório e garantido mesmo assim um tratamento radical com segurança. 


Quando a peça retirada na cirurgia confirma que não há linfonodos acometidos pela doença, o tratamento será apenas cirúrgico e o paciente permanecerá em acompanhamento por ao menos 5 anos para garantirmos que a doença não retornará. Este tratamento ainda tem enormes chances de cura. 


Contudo, caso a peça cirúrgica comprove a presença de linfonodos acometidos (suspeitos ou não já antes da cirurgia com os exames realizados), estamos diante de um estágio III e, como nesses casos há chances de recidiva (retorno do tumor), a quimioterapia pós-operatória é indicada para destruir eventuais células cancerígenas que possam já estar circulantes na corrente sanguínea e que não são eliminadas pela cirurgia que tem um efeito local apenas. Ainda assim, as chances de cura são bastante promissoras.


No estágio IV, quando o câncer colorretal se espalha para outros órgãos, como pulmões, fígado e ossos, o tratamento mais indicado é a quimioterapia em um primeiro momento, exceto se já houver algum sinal de complicação relacionada à presença do tumor no intestino como sangramentos ou o risco de obstrução intestinal. 


A cirurgia do tumor do intestino, nestes pacientes, costuma ser deixada para o momento no qual a doença à distância tenha sido controlada. Nessa fase, a cirurgia também pode ser indicada em situações específicas para a retirada de metástases nos pulmões ou no fígado. 


Esse tipo de tratamento das metástases aumenta de fato as chances de sobrevivência do paciente e, sempre que possível, são realizadas após o tratamento inicial com quimioterapia, mas apenas em casos selecionados que se beneficiarão destes procedimentos ainda mais complexos e delicados.


Além dos estágios do câncer colorretal, também é preciso considerar a localização da doença. Os tumores do reto, por exemplo, podem precisar de tratamento com quimioterapia e radioterapia antes mesmo da cirurgia, para reduzir o tamanho do tumor e preservar a integridade do esfíncter anal e reduzir as chances da doença retornar após a cirurgia principal. 


Atualmente, há inclusive estudos que demonstram que alguns pacientes específicos podem até mesmo ser curados com esse tratamento inicial sem precisar de cirurgia depois ou postergando ainda mais a necessidade da cirurgia, com melhora portanto de sua qualidade de vida neste momento. 


E, em outros casos específicos, podemos, inclusive, fazer o que é chamado atualmente na literatura médica de "Terapia neoadjuvante total", na qual apostamos todas nossas fichas no tratamento apenas com quimioterapia e radioterapia com chances reais de cura em alguns desses pacientes, um avanço bastante promissor no tratamento do câncer do reto.


Portanto, como puderam perceber, o tratamento é complexo e um especialista deve ser procurado imediatamente ao surgimento de sintomas ou para o rastreamento antes mesmo da doença surgir. 


Caso seja confirmado o diagnóstico do câncer colorretal, lembre-se de que as chances de cura ainda são possíveis e este costuma ser o câncer de todo o sistema digestório em que mais temos armas e opções de tratamento com chances reais de cura em muitos casos! E, para mais informações sobre o assunto, confira a nossa Central Educativa!

Dr. Alexandre Bertoncini

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